“Quem me ensinou a nadar foi os peixinhos do mar”

Assim que entrei dentro do barco veio-me à cabeça a música de Milton Nascimento “Peixinhos do mar”, uma música que a minha mãe me cantava quando eu era pequena. Sinceramente não sei bem porque o fazia, mas a verdade é que até gosto da letra (talvez por ser uma música relacionada com o mar e tudo o que o rodeia).
Estava então a começar a contar a minha aventura, sim a minha aventura como pescadora! Tínhamos que estar no cais de Peniche às cinco e meia da manhã para partimos às seis. E, por incrível que pareça, assim foi. Pelo caminho, muito nervosismo e ansiedade: “ Então Bia estás nervosa?”, perguntaram-me.
Claro que respondi que não e que estava ansiosa para começar a pescar. Quando chegámos ao cais, foi só procurar o barco que nos esperava e entrar. “A menina fica neste lugar para o caso de querer ir à casa de banho”, disse o senhor João, dono do barco. Mal eu sabia que aquele lugar era bom, sim mas não para pescar! (até nos barcos existe um lado melhor para apanhar peixe).
Começo da aventura. Ao todo éramos 10, contando com o senhor João e mais outro pescador. Às seis da manhã não se via um palmo à frente e estava um frio avassalador.

Para me abstrair daquele breu da madrugada, e porque é necessário, comecei a preparar o isco para colocar no anzol. “ Bora apanhar peixe”, dizia alguém. E assim foi. O primeiro peixe que retirei de dentro de água fez-me sentir realizada, pelo menos já não ia para casa de mãos vazias… Na verdade senti isso com os 11 peixes que apanhei ao todo.
De facto, não há nada melhor que aproveitar o que a natureza nos oferece, no entanto, por instantes, senti que estava a cometer um crime. Cada vez que retirava um peixe do seu lar e pegava nele, sentia o seu coração a bater com força, tentando sobreviver.
“Faz parte do ciclo da vida”, disse outro companheiro de viagem. Pois faz, mas não é fácil. Para mim, não foi.
Durante a viagem, anedotas foram contadas, cigarros foram fumados e até competição “de quem apanha mais peixe” foi feita. Tudo isto a poucas milhas da costa, mas a uma distância considerável.
“Ir para o mar”, estar no mar e senti-lo tem magia. Por vezes, acredito que, se existi noutra vida, fui peixe. Afinal, “quem me ensinou a nadar foi, foi marinheiro, foi os peixinhos do mar”. 

Comentários

  1. Uma música que faz apologia a violência. E violência no mundo é o que mais se tem. E devemos começar com a música para promover a paz! Com letras que não faz apologia a violência, como guerras etc. Queremos paz e não guerra!

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