Kelly Slater. Palavras para quê?


Ele chegou, ficou e venceu. Kelly Slater sagrou-se mais uma vez, agora destacando-se no campeonato do Volcom Fiji Pro 2012.

Não há dúvida que Slater faz história no mundo do surf. Mesmo quando o campeonato não começa bem, o careca consegue dar a volta à situação e nas Fiji não foi diferente. Quem acompanhou o espectáculo pelo pequeno ecrã, sabe bem do que estou a falar. Ele entra, sai, faz aéreos, tubos, enfim todas as sete manobras que podemos encontrar escritas no livro do surfista português João Macedo, “Como Ser Surfista”, deixando o público e o júri de boca aberta.

Confesso que neste campeonato estava a apostar no John John Florence, não por ter qualquer tipo de preferência - aliás, a minha escolha foca-se nos desportistas nacionais. Neste caso o português, Tiago “Saca” Pires e os brasileiros Adriano de Souza, Gabriel Medina, Heitor Alves, Miguel Pupo (não estaria a fazer jus à minha nacionalidade) -, mas porque o havaiano de 19 anos já mostrou que tem garra e não vai facilitar a vida a nenhuma lenda do surf. Além disso, foi um dos surfistas que obteve melhor score neste campeonato, venceu o Triple Crown e no Rio mostrou que está pronto para ser o número um.
Outro grande destaque foi Gabriel Medina. O brasileiro conseguiu impressionar e, apesar de ter ficado em segundo lugar, chegar à final e defrontar o 11 vezes campeão não foi fácil. Parabéns Medina. É isso aí garoto!

Por momentos, enquanto via os festejos de Kelly, pensei: “quase mais vale entregar-lhe o prémio directamente. Já sabemos o que vai sair dali”. Mas logo deixei este pensamento diluir-se, pois se tal acontecesse, seriamos privados do magnífico show de ondas que estes surfistas nos proporcionam, fazendo o público sonhar com tubos perfeitos e ondas grandes.

ASSOCIATION OF SURFING PROFESSIONALS. Como é natural, é de todo o interessa destes desportistas a sua posição no ranking mundial. E, neste ponto, não é o senhor calvo que vai à frente, mas sim Mick Fanning, que conseguiu chegar à semi-final deste campeonato. Aliás, se olharmos para o ranking da Associação, os três primeiros lugares pertencem a seniores do World Tour: Mick, Slater e Joel Parkinson.

Será que os dinossauros vão continuar a dominar o swell? A verdade é que o surf está cada vez a desenvolver-se mais e a ganhar território junto das massas mais jovens. Novas técnicas são aplicadas e os movimentos são mais rápidos e eficazes. Não há dúvida que o júri aprecia um bom espectáculo e isso, os mais jovens da ASP têm proporcionado.

É quase como se houvesse uma barreira entre as lendas e os meninos do século XX. Recordo-me que na final do Billabong Rio Pro, onde estavam John John Florence e Joel Parkinson, Kelly Slater escreveu no seu twitter “ força Joel”. Estará uma guerra aberta para provar que “os mais velhos” é que sabem? Espero que não.

Há tempo e lugar para tudo. Não quer isto dizer que está na altura destes senhores se reformarem, bem pelo contrário. Espero que continuem a inspirar mais jovens surfistas. Mas esses mesmos jovens têm de ter espaço e oportunidade para mostrarem o que valem. 

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