Surf em Portugal. Moda ou tendência?


O surf em Portugal tem vindo a evoluir, no geral, de forma positiva. É cada vez mais comum ver uma quantidade “absurda” de gente vestida com um fato neoprene acompanhada de uma prancha dentro de água. Para não falar das inúmeras escolas de surf espalhadas pela costa portuguesa.
 Esta evolução deve-se principalmente ao facto de o país ter sido “invadido” por surfistas estrangeiros, que trouxeram consigo o conhecimento desta modalidade – se é que já a podemos tratar assim. Pelo menos é esta a opinião partilhada pelos especialistas da área. Na semana em que se assinalou o Dia Internacional do Surf, a revista SurfPortugal proporcionou a quem quisesse assistir, uma conversa agradável, que decorreu na Fnac do CascaisShopping, subordinada ao tema “O Surf além das ondas”. João Valente, director da revista, referia que o surf em Portugal começou por ser “algo fechado e foi crescendo por si”, sendo o ano 2000 o ano da viragem. 

Mas não é o surf que está em constante mudança/evolução. Note-se também que houve uma mudança de valores na sociedade. Quem não se recorda dos tempos em que quem vestia Billabong, Rip Curl ou QuickSilver era considerado “surfista”? Tudo isto mudou. Pedro Adão e Silva, Sociólogo e um dos convidados, referia que “o estereótipo do surfista já não existe” e o representante em Portugal de uma das maiores marcas de surf, a Billabong, reforçava que as pessoas encontraram no surf uma “forma de estar bem com a vida”.

Mas sejamos sinceros. Os meios de comunicação influenciaram, e muito, esta mudança de paradigma. O surf, juntamente com o surfista tem sido o centro das atenções de grandes marcas por excelência, levando assim à divulgação deste desporto. “ Surf como produto e criação de valores”, afirmou durante a mesma conversa o presidente da Associação Nacional de Surf (ANS). Ser surfista deixou de ser apenas para as elites, passando também para a classe média.
Claro está os pontos positivos que isto trouxe para o crescimento da Associação e para a Federação Portuguesa de Surf (FPS). 

Surf pelo mundo. Da conferência, participaram também o escritor e viajante Gonçalo Cadilhe e o cronista brasileiro da revista SurfPortugal, Júlio Adler. Duas pessoas que contaram um pouco da sua realidade surfista pelo mundo. Comparando a evolução do surf em Portugal com outros países, "nós estamos muito atrasados", considera Gonçalo Cadilhe. O escritor explicou que em muitos países o surfista não é apenas aquele que está a apanhar umas ondas. “O surf pode ser uma modalidade de utilidade pública”, refere, acrescentando que o surfista é o elo de ligação entre a praia-terra e a praia-mar. 

Ligação com a natureza. Como surfar é muito mais do que apanhar ondas, como já referi noutros textos, a temática ambiental é uma constante. Com a evolução da modalidade do surf, não nos podemos esquecer que o que permite por este mundo fora umas ondas à maneira é o facto de a natureza ser pura na sua essência. “É importante preservar e alertar os surfistas para a preservação e sustentabilidade”, lembrou João Macedo, surfista português de ondas grandes (entre outras coisas). A tensão vivida naquela que é a reserva mundial de surf, na Ericeira, tem sido alvo de muitas críticas por parte das associações e de quem quer proteger o património. Mesmo do ponto de vista económico, querer destruir a surf camp da Ribeira D’Ilhas é, no mínimo, incoerente. Os próprios agentes que conseguiram tornar a Ericeira numa reserva mundial estão agora a destruí-la. Será que não entendem que vão acabar por perder dinheiro com isso? O lucro não está em construir, mas sim em preservar.

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