FMM Sines. Um festival de união entre povos
Para quem nunca esteve no Festival Musicas do Mundo em Sines
devo dizer que vale a pena. A contar já com 14 edições, o FMM continua a dar a
conhecer boa música internacional. Foram 35 concertos vividos por milhares de
pessoas.
Começando pelo ambiente, que é completamente alternativo,
podemos ver pessoas de todo o lado e dos mais variados estilos, dos cinco aos
50 anos. É engraçado verificar como a música pode unir povos de várias nações,
etnias e raças. Ali toda a gente esboça um sorriso… nem que seja por ter ingerido substâncias ilícitas.
Quem não entra no Castelo acaba por ficar na conversa perto
das tascas, aproveitando o som que corre pelas ruas ou vai dar um pezinho de
dança para o palco mais perto da praia, onde também decorrem outros concertos.
Dentro do castelo. Aqui
o momento é mágico. Como só estive presente no último dia, só poderei
referir-me a esse. “The Africa Day", é assim que posso começar por descrever a noite. Apesar
de não conhecer nenhuma das bandas e ir completamente à descoberta, posso dizer
que as actuações superaram todas as expectativas .
Hugh Masekela, um jovem [como descreve a organização] de 73 anos, fez a
plateia gritar [literalmente] pela liberdade dos povos. Alias, o trompetista,
cantor e compositor, foi uma das vozes artísticas mais fortes na luta contra o
apartheid e é um dos nomes maiores da história da música sul-africana.
Directamente da Nigéria e dos Estados Unidos, mais
precisamente de Lagos e Detroit, respectivamente marcamos encontro com Tony
Allen’s “Black Series” e Amp Fiddler. Desde
Soul, R&B, funk e hip hop, passando pelo funk a banda cantou e
actuou de corpo e alma no novo projecto “Black Series” que aproxima duas
cidades com o mesmo lema pela música negra.
Nascido em Kinshasa, há 50 anos, numa família de griots da
região de Mongo, no Congo, Jupiter Bokondji acompanhou a avó curandeira tocando
percussões em funerais e casamentos. Em adolescente, esteve com o pai diplomata
em Berlim-Leste, onde descobriu a música ocidental e formou uma banda com
percussões Mongo e guitarras rock. O seu som contém mais electricidade, mais
Groove, ao que lhe chamam Bofenia Rock- uma corrente de
suor tribal, ancestral, urbano e cosmopolita, que “purifica o corpo e eleva a
alma"- , trazida por Jupiter e pela orquestra Okwess International. E foi
exactamente esse o espírito que foi transmitido durante o concerto. E quando o
público estava no auge, eis que surgem os fogos-de-artifício. Momento único,
sem dúvida.
Amigos no FMM. Confesso
que inicialmente tinha pensado noutro título para este texto…Algo que tivesse
marcado o acontecimento, mas cheguei à conclusão que seria “demasiado” (risos) abordar temas tão delicados. Deixo
apenas um pequeno registo: foi um grande festival e para o ano há mais.
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