Nazaré na boca do mundo. Falta o resto
De mar piscatório, pacato, conhecido e aventurado por apenas alguns surfistas
portugueses, a Nazaré passou a ser o centro do mundo no que refere à Meca de
ondas grandes. Depois das últimas duas edições da ZON North Canyon Show e
depois de Garrett McNamara ter surfado a onda de 30 metros, entrando no guinness,
fazendo manchetes na imprensa nacional e internacional, o "canhão"
volta a estar na boca do mundo.
Garrett está de volta para tentar bater um novo recorde e, consequentemente, não se fala de outra coisa. Mas o que o povo (provavelmente) não sabe é que o surfista americano não é o único a aventurar-se no gigante. Aparentemente, António Silva, surfista da Praia Grande, também tentou a sua sorte, e com sucesso, no mesmo dia em que os jornais anunciavam que McNamara estava na água. Mas apenas alguns meios refeririam o português.
Não há dúvida que Garrett trouxe a Portugal, mais precisamente à Nazaré, uma visibilidade extraordinária, que fez com a zona se desenvolvesse do dia para a noite. Esse mérito ninguém lhe pode tirar. O problema surge quando a comunicação social - principal meio de divulgação - só está virada para alguns acontecimentos no surf. E João de Macedo que faz altas ondas e percorre não só a Nazaré, mas o mundo, levando Portugal a locais que ninguém sonha? E o Tiago Pires que representa Portugal em todos os campeonatos da ASP, mas que só se lembram dele quando o tour é em Peniche? E outros tantos surfistas da ribalta portugueses que surfam ondas magníficas, e que só os meios do surf é que anunciam?
É importante valorizar o que temos e não apenas valorizar quando os outros o fazem. O surf, bem como a sua comunidade continua a crescer e a desenvolver-se e, claro está, os meios de comunicações têm contribuído e muito para isso. Aqui remeto para o post "Surf em Portugal. Moda ou tendência", em que se aborda o crescimento da indústria e as suas implicações.
Recordo a primeira edição da ZON que esteve no cinema sobre a estadia do surfista residente no Havai. O bilhete custava apenas cinco euros e na sala de cinema deviam estar cerca de 10 pessoas. Foi aqui que ficámos a conhecer Garrett, o homem que vai atrás de ondas grandes até nos glaciares. Poucos meios falaram sobre o assunto.
Pouco tempo depois, Garrett surfou aquela onda que trouxe o prémio para Nazaré e tudo mudou. Já na segunda edição, as salas estavam cheias e o próprio Garrett esteve à porta da sala a dar autógrafos aos fãs e admiradores. Será que quem assistiu ao filme sabe que esta foi a segunda edição da ZON North Canyon? Fica no ar.
Antes de crescermos para fora, devemos crescer cá dentro e mudar as mentalidades. Os portugueses também são e podem ser os melhores no que fazem.
Garrett está de volta para tentar bater um novo recorde e, consequentemente, não se fala de outra coisa. Mas o que o povo (provavelmente) não sabe é que o surfista americano não é o único a aventurar-se no gigante. Aparentemente, António Silva, surfista da Praia Grande, também tentou a sua sorte, e com sucesso, no mesmo dia em que os jornais anunciavam que McNamara estava na água. Mas apenas alguns meios refeririam o português.
Não há dúvida que Garrett trouxe a Portugal, mais precisamente à Nazaré, uma visibilidade extraordinária, que fez com a zona se desenvolvesse do dia para a noite. Esse mérito ninguém lhe pode tirar. O problema surge quando a comunicação social - principal meio de divulgação - só está virada para alguns acontecimentos no surf. E João de Macedo que faz altas ondas e percorre não só a Nazaré, mas o mundo, levando Portugal a locais que ninguém sonha? E o Tiago Pires que representa Portugal em todos os campeonatos da ASP, mas que só se lembram dele quando o tour é em Peniche? E outros tantos surfistas da ribalta portugueses que surfam ondas magníficas, e que só os meios do surf é que anunciam?
É importante valorizar o que temos e não apenas valorizar quando os outros o fazem. O surf, bem como a sua comunidade continua a crescer e a desenvolver-se e, claro está, os meios de comunicações têm contribuído e muito para isso. Aqui remeto para o post "Surf em Portugal. Moda ou tendência", em que se aborda o crescimento da indústria e as suas implicações.
Recordo a primeira edição da ZON que esteve no cinema sobre a estadia do surfista residente no Havai. O bilhete custava apenas cinco euros e na sala de cinema deviam estar cerca de 10 pessoas. Foi aqui que ficámos a conhecer Garrett, o homem que vai atrás de ondas grandes até nos glaciares. Poucos meios falaram sobre o assunto.
Pouco tempo depois, Garrett surfou aquela onda que trouxe o prémio para Nazaré e tudo mudou. Já na segunda edição, as salas estavam cheias e o próprio Garrett esteve à porta da sala a dar autógrafos aos fãs e admiradores. Será que quem assistiu ao filme sabe que esta foi a segunda edição da ZON North Canyon? Fica no ar.
Antes de crescermos para fora, devemos crescer cá dentro e mudar as mentalidades. Os portugueses também são e podem ser os melhores no que fazem.
Concordo com tudo.
ResponderExcluirAdoro Portugal, e todo o calor vindo dos portugueses. Se falarmos com as pessoas, todas nos dizem maravilhas de Portugal, das praias da gastronomia, da hospitalidade, e mesmo algumas figuras públicas que elevam Portugal bem alto. Contudo,certos meios de comunicação teimam em lembrar-se apenas quando lhes convém para venderem mais. O exemplo do Tiago Pires é o melhor, vão falando nele de vez em quando, mas quando o campeonato chega a Peniche, metem-lhe uma pressão enorme que acaba sempre por dar em nada...