Surf. Alucinação ou realidade?


A preocupação com o consumo de drogas por parte dos atletas de alta competição é uma realidade que afecta todos os desportos. No surf não é diferente e não seria novidade um atleta ser expulso do circuito por ter sido apanhado nos testes anti-doping. Como esse tipo exames não são realizados de forma rotineira, casos de expulsões ou suspensões no surf são raros.

 
Um exemplo, porém, é Neco Padaratz. Em 2005, a Associação de Surfistas Profissionais (ASP) suspendeu o surfista brasileiro do World Championship Tour (WCT) pelo consumo de esteróides. A decisão foi tomada depois de o surfista brasileiro ter sido testado pelas autoridades francesas, durante o WCT de 2004, em Hossegor. Padaratz - que cooperou nos testes e com toda a investigação - alegou que sofria de uma lesão e por isso ingeriu os esteróides. Na mesma altura, outros dois surfistas fizeram exames: foram encontradas, na urina de ambos, vestígios das tais drogas recreativas, que incluem álcool, canábis, cocaína e outros narcóticos. Os nomes dos envolvidos não foram oficialmente divulgados pela ASP, o que levou algumas pessoas a interpretarem a suspensão de Neco como um ataque à sua carreira, então em plena ascensão.

 
Mas continuam as drogas a ser uma realidade dentro de água? Kelly Slater garante que sim. Numa entrevista recente à imprensa australiana, o onze vezes campeão mundial afirma que as drogas recreativas estão "bem presentes" no surf profissional. Disse ainda não acreditar no consumo de substâncias ilícitas para melhorar o desempenho dos surfistas, pois não há drogas “que consigam fazer surfar melhor".

 
Em 2010, depois da morte de Andy Irons e dos rumores sobre o seu consumo de drogas, a indústria ficou alerta. Em entrevista à revista brasileira “HardCore”, o Tour Manager da ASP Renato Hickel, admitiu no fim do ano passado que o controlo anti-doping era uma medida para ser adoptada em breve e que a morte de Andy, “só apressou o processo”.

 
Mas os testes só foram realizados uma vez, o que impulsionou várias críticas. “Porquê falar sobre o assunto e depois não fazerem nada? Porquê a preocupação? Ou o fazem ou não o fazem", sustentou Slater, defendo a realização regular de testes anti-doping.

 
Se hoje testassem os atletas do circuito mundial como seria o processo? Renato Hickel explicou que seria “por sorteio ou pré-determinada entre as pessoas envolvidas no teste”. Ou seja, “estamos na terceira ronda e nesse evento decidimos fazer o teste nos quatro perdedores das quartas e mais nos perdedores da primeira semi-final”. Desta forma, os exames seriam aleatórios, uma vez que na terceira ronda não se sabe quem vai ganhar ou perder nas próximas.


Se as drogas são tabu, também o consumo de álcool está no assunto do dia. Esta semana, o big rider Garret McNamara decidiu retirar as suas ondas da edição anual do Billabong XXL, onde estava incluída a onda surfada na praia do norte, na Nazaré, que fez manchetes na imprensa nacional e internacional. Motivo? Há muitas especulações, mas a razão apresnetada pelo surfista é"ser fortemente contra atletas que promovem o álcool. Dá a impressão errada às pessoas, especialmente aos jovens que os admiram. Não quereria que nenhum jovem de 15 anos pensasse que beber ajudá-lo-ia a viver os seus sonhos e a atingir os seus objectivos", justificou McNamara. Este ano, o campeonato da Billabong XXL Global Big Wave Awards será patrocinado pela cerveja Pacifico, o que determinou a decisão do surfista.

Mais em: http://www.ionline.pt/artigos/surf




Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Bruno Santos. “ Vou tentar trazer o título em homenagem ao Ricardinho”

Rodrigo Herédia. “Ganhar será sempre um objectivo na vida”