Billabong Rio Pro. Michel Bourez gostou do sabor da vitória
Um 10. Só mesmo Kelly Slater para fazer a nota mais alta do dia, em condições complicadas como as que tiveram ontem na praia do Postinho, na Barra da Tijuca. É assim que “o rei” começa. Contra Adriano de Souza, o último atleta brasileiro que restava em prova, Slater fez parecer fácil. Se no ano passado os dois se encontraram, tendo sido Mineirinho quem levou vantagem, ontem o cenário foi bem diferente. “Fiz uma boa onda. Quando a vi levantar-se, sabia que teria de estar no sítio certo. Foi um tubo seco, tive de acertar a linha e aguentar-me até ao fim”, revelou o 11 vezes campeão. Para grande tristeza da torcida verde e amarela, Adriano não conseguiu encontrar-se com o mar, tendo apenas apanhado um onda nos últimos segundos, fazendo 3,73 pontos.
Com uma interferência assinalada, Kolohe Andino conseguiu passar à
frente de Travis Logie, com 6,83 pontos, contra os 6,50 do sul-africano. Por
seu turno, Michel Bourez também jogou com tudo o que tinha, eliminando Joel
Parkinson da corrida. Os dois estavam no bom caminho. Mas coube ao segundo a
tarefa de tirar Slater do jogo (já lá vamos). “Acho que ele já me venceu umas
13 vezes (risos). Não tenho nada a perder e estou feliz por ter chegado até
aqui.”
Campeão em título da prova, Jordy Smith vai olhando para o relógio (talvez
na tentativa de o tempo passar mais depressa). É o sul-africano quem sai na
liderança da bateria, mas Bourez não lhe facilita o caminho. A dez minutos do
fim, o taitiano entra num tubo e sai já com os braços no ar de felicidade
(8,10), colocando-se na liderança. Jordy responde, mas não é suficiente (6,17),
já que Bourez voltou a entrar num tubo e a sair (8,73), deixando Smith em
situação de combinação e sem hipótese de resposta. “Nestas condições qualquer
um pode vencer por isso acho, que se trata de apanhar as ondas certas”, afirmou
Bourez.
Taj Burrow levou a melhor de Sebastian Zietz, eliminando-o com uma
pontuação total de 15, 66, contra os 7,20 do havaiano.
Nas meias-finais, a loucura instalou-se na praia. Kolohe e Kelly disputaram bem a liderança do heat, mas o primeiro, com o seu talento para os aéreos, foi quem levou a melhor, terminando a bateria com 14,73 contra os 14,17 do surfista da Florida de 42 anos. Foi o seu momento de glória. “Não conseguia ouvir as notas. Só sabia que o Kelly tinha feito uma boa nota, então fiz um aéreo. Sempre me considerei um surfista com ritmo. Se encontrar o meu ritmo, vou sair-me bem.”, disse no final. Kolohe alcançou assim o melhor resultado da sua carreira no circuito mundial de surf. Apesar de ter ficado por aqui, Kelly está neste momento na liderança do ranking mundial.
Em seguida, foi a vez de Bourez remar em direcção à final, tirando
Burrow do Billabong Rio Pro.
Já na final, os dois companheiros da mesma equipa (são ambos patrocinados
pela Hurley) lutaram para vencer, mas foi Bourez, que já leva uma vitória nas
costas após ter vencido o Drug Aware Margaret River Pro, quem encontrou as
melhores ondas, deixando o segundo lugar para o prodígio californiano.
“Não acreditei que ia ganhar”, disse já no pódio. “É difícil para toda a gente, as condições mudam muito e todos tiveram que se esforçar. Fomos testados aqui”. Questionado sobre uma possível disputa pelo título mundial este ano, o taitiano respondeu com convicção: “Sempre que se vence uma etapa temos o título mundial em mente. Estou a trabalhar para isso.” Well done Spartan. Com esta segunda vitória, Michel ocupa agora a 4ª posição do ranking, seguido de Gabriel Medina, que até então estava em 1º lugar.

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