Stephanie Gilmore. A versão feminina de Kelly Slater



Gosta que os outros tenham prazer em vê-la surfar e considera o seu surf "descontraído". As suas inspirações são Lisa Andersen, Kelly Slater, Joel Parkinson, mas este ano, na primeira etapa do circuito mundial, sentiu-se como Mick Fanning dentro de um tubo. Stephanie Gilmore dispensa apresentações. Tem cinco títulos mundiais (2007,2008,2009, 2010 e 2012), é simpática e inteligente. Quando menos esperávamos, estava sozinha a olhar o mar. A surfista de 25 anos, natural de New South Wales, Austrália, conversou connosco

Slater virou mulher
“É um elogio e bem grande. O Kelly é um freak e aprendi muito com ele. Onze títulos mundiais? Estou muito longe de imaginar isso para mim. Mas adoro o facto de ele continuar a ser o melhor, querer ser o melhor e mostrar que para ele a idade é só um número. Acho que é uma inspiração para qualquer ser humano. Não sei se serei a versão feminina… sou um bocado mais alta que ele [risos]. Sei que com essa idade vou estar a surfar, com toda a certeza, mas não sei se vou estar a competir. Acho que é um bocado difícil para nós mulheres, principalmente quando construímos uma família. 42 anos no tour com um monte de crianças à volta? É bastante assustador [risos].”

A prancha debaixo dos pés
“Acho que tinha 10 anos quando comecei a pensar que queria ser surfista profissional. Mas a grande decisão surgiu quando tinha 15 e estava no liceu. Já nessa altura queria fazer parte do circuito e ser campeã. Acho que se não fosse surfista profissional quereria sê-lo [risos].”

Mudanças na ASP com a entrada da ZoeSea
“Sabem como gerir a Association of Surfing Professionals enquanto negócio e têm noção do que é o desporto. Sabem que a abordagem passa pelos fãs e pelos surfistas. Não é só melhorar o surf para os fãs, mas também para os atletas. Têm consciência que devem gerir a empresa de forma que todos tirem partido. Sei que querem colocar-nos em ondas de classe mundial, voltando a devolver-nos locais que já fizeram parte do circuito. Claro que é importante termos estes eventos nas cidades, e sei que é bom termos novos olhos postos aqui, mas acho que é sobretudo saber encontrar um equilíbrio. Ter ondas em locais exóticos e ter ondas nas cidades. Acho que esta mudança será um marco no desporto. Eles todos vêm de projectos relacionados com os media e sabem o que é necessário para elevar o desporto. Penso que o objectivo é aproximar o surf daqueles que o seguem, porque muitas vezes não é fácil chegar a estes eventos.”

Etapas sem fim
“Sabes, acho que não se trata de termos mais etapas, mas sim de termos qualidade nas que já existem. É isso que a ZoeSea parece ter em mente. Melhorar a qualidade das provas e aí sim, surgirão mais eventos. Os patrocinadores vão começar a ver como tudo isto é fantástico e vão querer fazer parte.”
“É verdade, vai haver uma nova campeã este ano. Acho que é muito positivo para o desporto ter uma cara nova. Não deixa de ser uma desilusão para mim, mas estou feliz e espero estar na corrida para o título no próximo ano. Sei que a Carissa está muito determinada a vencer. Também sei que a Tyler tem feito por isso. Não sei, vamos ver.”
“[risos] Sim, disse coisas não muito simpáticas quando entreguei aquele troféu à Carissa [em 2011, quando Carissa Moore se sagrou campeã mundial pela primeira vez, na entrega de prémios da ASP, Gilmore sentiu-o na pele. Este ano lá terá de ser outra vez]. Sou uma pessoa competitiva, por isso estava determinada a voltar para o primeiro lugar do ranking.”

Drogas no desporto
“Acho que é importante o controlo das drogas e penso que é preciso dar importância a esta questão para legitimar o surf como desporto profissional. Não tenho conhecimento de que haja consumo no circuito feminino, mas não é segredo que as drogas estão no mundo do surf. Procuro apenas centrar-me no meu surf e certifico-me de que estou a fazer o que é correcto.”

Cuidados com o corpo
“Surfo muito e estou sempre atenta por causa das lesões, testo o meu equipamento e divirto-me. Procuro manter-me saudável e estar rodeada de boas pessoas. Gosto de me sentir confortável, o que é fácil porque viajo muito. Adoro o meu trabalho [risos].”

A união faz a força
“Sempre tive o apoio da minha família. Os meus pais são espectaculares e muito descontraídos. Estão sempre a encorajar-me e nunca me pressionam… Também sempre fui boa no que faço. Tenho de lhes agradecer muito por isso. O meu pai também surfa e bastante, é um óptimo surfista. Apesar de ser free surfer, é muito competitivo. Quando estamos a surfar juntos, ele quer sempre apanhar mais ondas. É de loucos!”

Música?
“Comecei a aprender a tocar guitarra na mesma altura em que comecei a surfar, portanto com 10 anos. Foi o meu pai que me ensinou. Acho que é um óptimo hobby e é algo que gosto de fazer. Confesso que tenho o vício de comprar guitarras [risos]... mas são instrumentos lindos.”

O extremo da vida
“[Na gala da ASP deste ano, Stephanie usou uma saia preta com uma blusa cor de pele com um sutiã desenhado] Era uma saia linda e conservadora, por isso, quis equilibrar com algo mais excêntrico. Adoro o glamour e adoro ser diferente. Acho que as todas as mulheres devem fazer coisas que as possam fazer sentir-se sexy e confortáveis.”

Não vale a pena relembrar
“[Na etapa de França, em Biarritz, na altura cancelada por falta de ondas, a Roxy lançou um vídeo de apresentação onde Stephanie aparecia quase nua. A polémica instalou-se nas redes sociais e muitas pessoas afirmaram que mais parecia uma produção de moda que o campeonato de surf] Não vamos falar sobre o assunto [risos].”

Tyler Wright vs. Carissa Moore
“É verdade, vai haver uma nova campeã este ano. Acho que é muito positivo para o desporto ter uma cara nova. Não deixa de ser uma desilusão para mim, mas estou feliz e espero estar na corrida para o título no próximo ano. Sei que a Carissa está muito determinada a vencer. Também sei que a Tyler tem feito por isso. Não sei, vamos ver.”

“Take care of the trophy”
“[risos] Sim, disse coisas não muito simpáticas quando entreguei aquele troféu à Carissa [em 2011, quando Carissa Moore se sagrou campeã mundial pela primeira vez, na entrega de prémios da ASP, Gilmore sentiu-o na pele. Este ano lá terá de ser outra vez]. Sou uma pessoa competitiva, por isso estava determinada a voltar para o primeiro lugar do ranking.”

Peça publicada no Jornal i

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